terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Soneto Nada Sentimental à Cidade de São Paulo
Xenofobia travestida em tuas ruas
contra destinos, nordestinos, diferentes
te torna exposta e sem resposta te insinuas
mas não te cegas, nem renegas estas gentes.
Te desvarias noite e dia em cores cruas
nos desatinos que aos sem tino faz doentes;
mas não te cansas - sempre avanças, não recuas...
Segues sem culpas, sem desculpas, sempre em frente.
Viste o descaso com que os rasos governantes
abarrotaram, asfaltaram as tuas veias
mas inda anseias que elas fluam como dantes...
Sopras as velas das mazelas, mas se chove
neste Janeiro (o derradeiro?), em ruas cheias,
quem não flutua e quem não voa não se move.
Reinaldo Luciano © Direitos Autorais reservados
Escrito no aniversário de São Paulo, que em 2011 não tem o que comemorar!
http://www.brasilianas.org/blog/reinaldo/soneto-nada-sentimental-a-cidade-de-sao-paulo
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Lepidóptera
e deu-se à luz, mortiça, tênue, tépida.
De lânguida expressão desde a crisálida
fadada a não vingar, ficar inválida...
Mas eis que ela se abriu assim intrépida,
se pincelou de cor nas asas pálidas
e foi de flor em flor, voando lépida.
Reinaldo Luciano © Direitos Autorais reservados
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
As janelas do desmazelo

escondem grandes mazelas
no apê do zelador
que zela pelo morador...
Janelas desiguais...
horizontes desiguais.
Arquiteto elitista
esconde da vista
o zelador “Severino”.
Na senzala moderna
apenas uma fresta...
é tudo o que resta
ao escravo hodierno.
Não há pai eterno!
O calor é o inferno...
e a casa grande não presta!
Sem ar-condicionado
o coitado arde
no calor da tarde...
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Milagre Nordestino
todo filho é Severino,
quando no muito é Raimundo,
quando no muito é José...
A tez curtida é destino
e o bruto que foi menino
escava o solo infecundo
plantando um pouco de fé.
A seca do sol a pino
nega o fruto ao Severino,
nega os sonhos a Raimundo
e nega a vida a José....
Mas, nordestino da peste
não sente medo do agreste;
cava o solo bem mais fundo,
cava a cova de José.
Não sente dor, não tem mágoa.
Lá de dentro um fio d’água
vai brotando, pequenino...
O velho tira o chapéu
e olha ao céu, cheio de fé.
Põe no “couro” a água barrenta
e esparge como água benta
sobre o corpo de José!
Reinaldo Luciano © Direitos Autorais reservados
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Coisa triste de se ver é a estupidez dos analfabetos políticos! As mensagens preconceituosas contra o Nordeste (que só fez ampliar a vitória de Dilma Rousseff, a primeira presidente) merecem esta velha poesia como resposta:
José Serra está politicamente morto e enterrado! Com ele o falso moralismo, o preconceito, o ódio e a política rasteira de quem jamais olhou para este povo sofrido do Nordeste do meu Brasil brasileiro!
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Linhas tortas
Na linha vermelha/amarela
a cor da bala abala e acorda
a borda rala da favela...
Acorda e aborda um tema:
Não tema ou trema a queima sob a janela
que teima em lá estar - ousar!
A sala de estar - singela sala
na velha vala vil - viva seqüela...
Resvala a orelha a bala na linha vermelha/amarela;
revela o medo dela.
Favela acorda - transborda dentro dela!
Reinaldo Luciano © Direitos Autorais reservados
Ira patética
e não me atinge a paz conquistada
nas muitas batalhas vencidas
nas poucas perdidas;
carrego na espada quebrada
um sangue rubro que tinge
e finge ser nada!
Não te temo os estertores
e a boca torta que espuma
o sangue da aorta...
Tu morres vazio de dores
e cheio de coisa nenhuma!
Bem antes do parto de tua mãe
eu já era mundo!
Não te temo, infeliz...
Sou fundo - raiz forte enterrada
e não tremo - sou profundo!
Reinaldo Luciano © Direitos Autorais reservados
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Sobre os direitos autorais
De todos os milhares de versos escritos por Reinaldo Luciano há alguns realmente especiais. Fazem parte do poema "AO SILÊNCIO" e de vez em quando aparece alguém para assiná-los...
Algumas pessoas evitaram um processo judicial. Outras parecem querer tentar a sorte!
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=197277&tid=5286661844460299894&start=1 : (esse é GE LOUSADA, que postou a primeira estrofe em um monte de comunidade de reacionários...
Leandro no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=48266&tid=3375208&start=1 (esse inseriu um verso torto no final).
Parece pouco? Que tal uma tal de Fernando Kato? Essa morreu ou sumiu, mas a postagem está lá: http://br.geocities.com/sonhosaovento1/aosilencio.htm
Não acabou ainda: http://www.blogger.com/profile/16957770624627213233 (thais... uma jornalista!)
Todos estes infelizes usaram meu poema AO SILÊNCIO, de um modo ou de outro! Começo a pensar que algum valor há nestes versos.
Continuo gritando, sem querer o silêncio culto e tácito... e talvez processe uma meia dúzia de pobres infelizes...
terça-feira, 26 de maio de 2009
Tecido
dá-se por amor...
amor tecido; ceda...
Sem ser amor,
sem ter sido!
Entristecido
eu cedo
e por um triz
não teço
esse fio de dor
de não ser,
não ter fim...
Adormeço...
A dor meço
sem mim!
Reinaldo Luciano © Direitos Autorais reservados
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Manhãs
as luvas de lã mal cerzidas e gastas
são um pouco da infância ainda pura
gravada na pouca memória – imagens
das paisagens tomadas de neblina
e de um eu franzino indo à escola...
Fui menino de outrora – mas nem restam lembranças...
Manhãs assim – a aragem de montanha
encobre os rastros do passado esmaecido
e ganha a vida um contorno mais nobre
desse outono de mim – outra noite vencida
induzido a ter sono e a perder mais história
enquanto lá fora há crianças passando...
São meninos de agora – alegres crianças!
As manhãs vazias – e o vazio dos sonhos
são os mesmos de outrora, mas de tais fragmentos
eu me tento inteirar, ajuntando os pedaços
do passado remoto e os pedaços do agora...
Mas, as luvas de lã tão pequenas, perdidas
não aquecem e não cabem – saudades apenas
das mãos pequenas em que coubera a esperança!
Reinaldo Luciano © Direitos Autorais reservados
Inventando
(um jeito de brincar com as dores de Pessoa)
O poeta é um inventor.
Inventa um sentir tão triste
e insere em lugar do amor
a dor que nem mesmo existe.
Ah! Poeta, por favor,
olha em volta – por que insistes
em espinho e não em flor?
É da dor que subsistes?
Desses males quais inventas
e quais deles são reais
dentre os sonhos que acalentas?
Não te bastam os teus ais?
Acalma a mente sedenta
e inventa um “não quero mais”.